
Júlia Alexim
Profundo é a pele. O incompleto do sexo, o toque impossível, corpos condenados a nunca ocuparem o mesmo espaço. O desejo de atravessar seu tórax e parar antes de chegar ao outro lado: esticar, contrair, relaxar. Marcas vermelhas nas suas costas com as formas dos dedos que insistem, fazem força, mas não podem penetrar. O sonho de embaralhar os tornozelos morre no desenlace do nó das pernas cegas sempre frouxo, fácil de soltar. Ondas que esticam mais de um lado que de outro, sem cobrir toda a areia. As águas mais ferozes avançam, vislumbram seu destino, cheiram suas casas, se alongam enquanto podem com a dor, chegam à beira da porta, tocam em prantos o lar onde nunca poderão entrar, despencam e, exaustas, são sugadas pelo mar.

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