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Roda de escrevinhadoras: novo site
Olá, sejam bem-vindas e bem-vindos à Roda de Escrevinhadoras. Estamos reconfigurando o nosso site. Aos poucos vamos colocar nossos textos antigos. Enquanto isso, conheçam os textos mais recentes!
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A Garrafa

Uma mulher, um cachorro e uma garrafa. Os três jaziam imóveis sobre a areia morna da praia. Apesar de ser inusitado o torpor do cão, um animal de apartamento em liberdade, e o da mulher, uma professora em constantes crises de espasmos. Apesar, sobretudo, da garrafa ser um artefato extraordinário – por séculos submerso –…
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MAR AMADO MAR REMOTO

Maria Júlia Outro dia na TV, um documentário impressionante sobre um navio quase fantasma, afundado há 10 anos atrás, em um dos locais mais abandonados do mundo, a Antártica. O acidente aconteceu por vários motivos, entre outros, falha na preparação do barco e condições climáticas extremamente adversas. Dias após, a reprise do filme Titanic. Pesadelos. Sempre tive…
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Profundo é a pele
Júlia Alexim Profundo é a pele. O incompleto do sexo, o toque impossível, corpos condenados a nunca ocuparem o mesmo espaço. O desejo de atravessar seu tórax e parar antes de chegar ao outro lado: esticar, contrair, relaxar. Marcas vermelhas nas suas costas com as formas dos dedos que insistem, fazem força, mas não podem…
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Futuro

Eliana Gesteira A conversa não se estendeu. Todos sabíamos que aquele dia chegaria. Eu já andava desconfiada muito antes do fato se consumar. Denunciaram os cochichos e os olhares inquietos. Para ter certeza, passei a brincar dentro de casa, perto de papai e mamãe, em vez de brincar no quintal com os irmãos. Eles falavam…
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Alice

Vaneska Mello Adélia acordou aos 40. Sem faca, sem queijo e sem fome. Leu, anotado no caderno de rabiscos, o aforismo cretino: “os primeiros quarenta anos de vida dão-nos o texto, os trinta seguintes, o comentário.” Seu texto não estava completo, longe disso. Era só um rascunho. Pintou as unhas de vermelho. Adélia acordou aos…
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Caminhar

Carolina Geaquinto Mas a caminhada de que falo não tem nada ver com fazer exercício, como chamamos, como um doente toma remédio em determinadas horas […]; é antes o propósito e a aventura do dia. (Henry David Thoreau, Walking, p. 4. Edição do Kindle, minha tradução) O jeito que as crianças têm de andar saltitando…
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Hábitos, vícios, obrigações- Viagem absurda pelo Cosme Velho e Viena

Maria Júlia A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre, por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente. – Dom Casmurro, Machado de Assis Curioso, o mestre se queixar disso no final do século dezenove. Se vivesse atualmente, precisaria de páginas e páginas para descrever o desgaste, agonia e irritação em correr…
